O primeiro pedido de registro de candidatura ao Governo de Mato Grosso do Sul para as Eleições 2026 já consta no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até esta segunda-feira (3), o único registro para o cargo de governador era o de Lucien Rezende (PSOL). Junto ao pedido, ele protocolou um plano de governo de 10 páginas, documento exigido pela Justiça Eleitoral para todos os candidatos ao Executivo.
O programa apresenta diretrizes para diversas áreas da administração pública e destaca temas como o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde), valorização dos servidores públicos, preservação ambiental, políticas habitacionais, investimentos em educação e mudanças na política de segurança pública.
Na introdução do documento, o PSOL e a Rede Sustentabilidade afirmam que a estratégia da federação no estado se baseia em três eixos: apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fortalecimento de candidaturas legislativas alinhadas às pautas trabalhistas e mobilização pelo fim da escala de trabalho 6×1. O texto também defende os direitos sociais, dos povos indígenas e a sustentabilidade ambiental.
Saúde e educação
A saúde ocupa a maior parte do plano. As propostas incluem a ampliação dos investimentos no SUS, fortalecimento da rede pública estadual e expansão do programa Mais Médicos para atender regiões afastadas, periferias urbanas, comunidades indígenas e municípios com falta de profissionais. O documento também prevê a criação do programa “Saúde em Casa”, para atendimento domiciliar de idosos, pessoas com deficiência e pacientes com dificuldades de locomoção, com equipes multidisciplinares, UTIs móveis e atendimento preventivo e emergencial.
Outra diretriz é a regionalização da saúde, com o fortalecimento de hospitais regionais para reduzir deslocamentos de pacientes. O plano também propõe a valorização dos profissionais da área, com melhores salários, planos de carreira e qualificação permanente, além de políticas específicas para indígenas, população negra, mulheres, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência e moradores de periferias e da zona rural.
Na educação, Lucien Rezende propõe ampliar o ensino em período integral, valorizar professores e servidores administrativos e realizar concursos públicos para suprir a falta de profissionais na rede estadual. O documento defende uma educação pública, gratuita, inclusiva e de qualidade.
Segurança, habitação e meio ambiente
Na segurança pública, o plano afirma que o estado precisa de uma política baseada em inteligência, prevenção e respeito aos direitos humanos. As propostas incluem investimentos em tecnologia, integração das forças de segurança e cooperação com órgãos federais e internacionais por causa da condição de estado fronteiriço. O texto também prevê valorização dos profissionais, políticas de saúde mental para os agentes e ações sociais em áreas periféricas para prevenção da violência, além de medidas contra o feminicídio e o racismo estrutural.
Na habitação, a proposta prevê um programa estadual de habitação popular em parceria com os 79 municípios. O público prioritário inclui famílias de baixa renda, mulheres chefes de família, pessoas em situação de vulnerabilidade, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. O plano também sugere o uso de tecnologias construtivas, como casas modulares, além de regularização fundiária, urbanização de bairros periféricos, aluguel social e mutirões habitacionais.
Na área ambiental, o documento propõe ampliar a fiscalização contra desmatamento e queimadas ilegais, recuperar áreas degradadas e incentivar o desenvolvimento sustentável. O texto faz críticas aos impactos da expansão da indústria da celulose no leste do estado, citando o aumento da mortalidade de animais silvestres nas rodovias pelo tráfego de caminhões. O plano também defende fiscalização mais rigorosa sobre a mineração em Corumbá e o fortalecimento dos órgãos ambientais.
Na cultura, a proposta inclui um calendário estadual permanente de eventos, ampliação de editais públicos e fortalecimento de manifestações culturais indígenas, afro-brasileiras, pantaneiras, sertanejas, urbanas e periféricas. No esporte, o candidato defende ampliação da infraestrutura pública, incentivo ao esporte de base, escolar e universitário, e políticas de inclusão para mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, idosos e moradores de periferias.
Sobre emprego e renda, o documento cita a expansão da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, mas questiona o modelo de desenvolvimento. Segundo o plano, apesar da geração de empregos e do aumento da arrecadação, grandes empresas recebem incentivos fiscais enquanto persistem problemas como desigualdade social, baixos salários e carências em infraestrutura. O plano de governo fica disponível para consulta pública no sistema DivulgaCand.
