A psicóloga Cristiane Lang assina artigo que discute a relação entre a resistência às mudanças e o perigo das convicções absolutas. No texto, ela parte de uma frase atribuída a Voltaire para analisar o comportamento humano diante da necessidade de transformação.
Segundo a autora, a mudança incomoda porque desorganiza padrões e hábitos conhecidos. A repetição de opiniões e rotinas oferece conforto, enquanto o novo chega sem aviso e exige adaptação. O problema, para ela, não está no desconforto em si, mas na tendência de transformar esse incômodo em defesa intransigente das próprias posições.
Ela define a certeza absoluta como uma forma de arrogância silenciosa. Essa postura, afirma, impede a escuta do outro e reduz a complexidade do mundo a uma única perspectiva. A convicção excessiva, segundo a psicóloga, faz com que as pessoas classifiquem quem pensa diferente em vez de tentar compreender.
O artigo observa que pessoas rígidas costumam ser frágeis diante de questionamentos. A autora cita exemplos de convicções que o tempo se encarrega de desmentir, como promessas de não perdoar ou a suposta certeza sobre o futuro de um filho. Ela argumenta que a vida passa a exigir revisões e que a coragem de admitir o erro deveria ser reconhecida.
Lang compara o comportamento humano ao da natureza, que aceita ciclos de transformação sem tratá-los como fracasso. Ela sugere que a dúvida fértil, aquela que mantém a capacidade de aprender, é mais produtiva do que a rigidez. A maturidade, segundo ela, não estaria em acumular certezas, mas em sustentar convicções provisórias.
A autora conclui que a mudança, apesar de irritante, mantém as pessoas atentas e abertas ao que é novo. Já a certeza absoluta, diz, limita a visão e faz com que cada um acredite que sua própria perspectiva é o universo inteiro. O artigo foi publicado em uma seção de opinião e não representa necessariamente a posição do veículo que o divulgou.
