O aumento do uso de canetas emagrecedoras tem afetado as vendas no setor de alimentação em Mato Grosso do Sul. Donos de restaurantes se reuniram nesta terça-feira para discutir a criação de pratos com porções menores e preços proporcionais. A medida visa atender consumidores que passaram a comer menos após iniciar o tratamento para perda de peso.
O debate ocorreu durante o encontro empresarial “Adaptando seu cardápio à era das canetas emagrecedoras”. O evento foi promovido pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). O objetivo foi orientar donos de bares e restaurantes sobre estratégias para atrair esse público crescente.
Segundo a gestora estadual de Gastronomia do Sebrae, Laís Maluf, a mudança vai além da redução da quantidade servida. Ela explicou que os medicamentos alteram mecanismos hormonais ligados à fome e à saciedade. Isso modifica a forma como os pacientes percebem os alimentos e vivenciam as refeições.
Laís afirmou que essas alterações também influenciam as escolhas alimentares. Alimentos ricos em gordura e açúcar perdem espaço na dieta dos usuários das canetas. Isso ocorre pela menor tolerância do organismo ou pela diminuição do interesse por esse tipo de produto. Ela aconselhou a adaptação dos cardápios com ingredientes e métodos de preparo mais adequados a esse novo perfil.
O chef de cozinha e consultor do Sebrae, Gabriel Pimentel, disse que a intenção é evitar que essas pessoas deixem de frequentar restaurantes. A estratégia é criar um cardápio complementar, sem substituir os pratos tradicionais. A proposta segue a lógica dos pratos infantis, com porções menores e preços proporcionais.
Gabriel explicou que, com porções menores e menos ingredientes de maior custo, como proteínas, os novos pratos devem ter preços diferenciados. Ainda não há definição sobre valores, mas a expectativa é que a precificação acompanhe o tamanho reduzido das refeições. Outra orientação é investir na experiência visual, com pratos mais elaborados esteticamente.
A proprietária de um restaurante em Campo Grande, Marjorie Caliani, afirmou que a preocupação dos clientes com alimentação saudável vem crescendo. Ela relatou que a procura por opções vegetarianas, veganas, com menos carboidratos e mais proteínas tem aumentado. Segundo ela, a mudança aparece nos pedidos do restaurante e nos contatos pelas redes sociais.
Impacto no mercado
A movimentação já desperta atenção de empresários do setor. A proximidade de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, onde os genéricos das canetas emagrecedoras são vendidos, potencializa o uso desses medicamentos na região. A popularização do tratamento tem derrubado as vendas no setor de alimentação há meses.
O encontro empresarial também abordou a necessidade de adaptação dos cardápios para manter a frequência desse público nos restaurantes. A proposta inclui a redução de gorduras e açúcares nos pratos, além de investir na estética das refeições para manter a atratividade.
