28/07/2026
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Brazil square honoring murdered boy vandalized, left nameless

Brazil square honoring murdered boy vandalized, left nameless

Seis anos após a Prefeitura de Campo Grande oficializar a criação da Área de Recreação e Lazer Dudu – Luiz Eduardo Martins Gonçalves, a praça que deveria preservar a memória do menino assassinado aos 10 anos permanece sem identificação e tomada pelo abandono. O totem que identifica o nome da praça nunca foi instalado.

A comerciante Eliane Aparecida Martins, de 52 anos, mãe de Dudu, guarda uma cópia plastificada do Diário Oficial de novembro de 2020, que oficializou a homenagem. O documento ficou exposto na parede do bar que ela mantém na esquina da praça, no Jardim das Hortênsias, na região do Aero Rancho. “Não tem nem o murinho com o nome do neném”, disse Eliane. “Eu guardo esse papel desde quando saiu. Queria ver o murinho com o nome dele. Nem inauguração simbólica teve.”

A área de lazer fica no quadrilátero formado pela Avenida Arquiteto Vilanova Artigas e pelas ruas Prímula, Gérbera e Caládio. Quem passa pelo local não encontra referência a Dudu. A praça acumula sinais de abandono. O prédio da associação de moradores está fechado e deteriorado, com janelas quebradas. A academia ao ar livre tem nove aparelhos, a maioria sem manutenção. Do parquinho infantil restou apenas um escorregador.

Eliane afirma que sofre ao lembrar do crime e ao encontrar pessoas envolvidas no caso. “O sentimento é horrível. Esses dias estava sentada ali e chegou um rapaz que teve envolvimento na época para pedir um cigarro. Levantei e saí. Passei mal”, relatou. Ela diz que sonhava em ver a área bem cuidada, com o nome do filho preservado e bancos para as famílias.

A agente operacional Márcia Veríssimo, de 52 anos, moradora do bairro há 30 anos, lembra que o espaço já teve mais movimento. “Antes tinha curso na associação, mais brinquedos no parquinho. Hoje está tudo abandonado.” Uma das três esculturas de araras que ornamentavam a praça está caída e quebrada. Os balanços desapareceram.

O militar da reserva Atanázio Lopes Santa Cruz, de 73 anos, mora no bairro há quatro anos e desconhecia a história da homenagem. “O espaço tem potencial, mas precisa de cuidado”, afirmou. A aposentada Marcilene Vieira da Silva, de 72 anos, mora na região há mais de 30 anos e conheceu Dudu. Ela disse que não sabia o nome oficial da praça. “Fico arrepiada só de lembrar dessa história.”

Dudu desapareceu em 22 de dezembro de 2007, aos 10 anos. As investigações apontaram que ele foi espancado até a morte por adultos e adolescentes conhecidos da família. Após o homicídio, o corpo foi enterrado em um terreno baldio e, depois, desenterrado, esquartejado e enterrado novamente. O ex-padrasto José Aparecido Bispo da Silva, o Cido, foi condenado a 26 anos de prisão. Holly Lee recebeu pena de 24 anos e 10 meses. Os dois cumpriram as penas e hoje estão em liberdade. Os demais envolvidos eram adolescentes na época.

O pai de Dudu, Roberto Gonçalves, dedicou anos à busca por justiça e acompanhou o processo. Morreu anos depois em decorrência de um câncer de próstata. A casa onde vivia com o filho foi vendida. A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber por que a praça segue sem identificação e se há previsão de instalar a placa. Não houve retorno até a publicação.

Sobre o autor: Redação Central

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