A ONG SOS Pantanal usou inteligência artificial para recriar o Pantanal de 1543. O objetivo foi mostrar como era a região antes da ocupação europeia. O vídeo foi divulgado nesta quinta-feira (21).
A produção apresenta o influenciador virtual “Rodrigão” e o gato “Nabuco”, personagens criados pela startup Ronestore Studio. Eles viajam pelo chamado “Mar dos Xarayes”, nome dado pelos espanhóis ao bioma durante o período das grandes expedições.
No vídeo, os personagens percorrem áreas alagadas, encontram povos indígenas Guató e observam animais silvestres. Eles também acompanham a chegada do explorador espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca ao Rio Paraguai. A narrativa mistura reconstrução histórica, elementos educativos e imagens geradas por computador.
Segundo o SOS Pantanal, Cabeza de Vaca chegou ao Puerto de los Reyes no fim de 1543. Ele encontrou uma planície completamente inundada. O Rio Paraguai havia transbordado e transformado a região em um “imenso mar de águas calmas e verdes”.
“Os espanhóis ficaram impressionados com o tamanho da inundação e por isso chamaram o lugar de ‘Mar de los Xarayes'”, diz a publicação. Em um trecho, o influenciador virtual afirma que os europeus acreditaram ter descoberto “um oceano dentro do continente”.
O vídeo destaca a presença dos Guató, povo indígena ligado aos rios e áreas alagadas do Pantanal. A narrativa explica que eles navegavam em canoas monóxilas e construíam moradias sobre aterros elevados conhecidos como “marabohó”. “Os guatós eram os argonautas do Pantanal. Passavam a vida inteira na água”, afirma o áudio.
Outro trecho aborda técnicas tradicionais de pesca com timbó, planta usada para atordoar peixes. A narração menciona estudos que apontam maior biomassa aquática no passado. “Estima-se que em alguns trechos do Pantanal, a biomassa aquática era o dobro do que temos hoje”, diz o texto.
O conteúdo também usa linguagem de internet, memes e interações entre os personagens para aproximar o público jovem da história do bioma. A publicação mostra um mapa europeu do início do século XVII com a representação do “Mar dos Xarayes”.
Ao fim do vídeo, o personagem questiona se aquele Pantanal abundante “ainda existe em algum lugar” e anuncia novos episódios. O SOS Pantanal afirmou que a produção contou com apoio de pesquisadores. O historiador Gustavo Figueirôa foi citado na construção do roteiro.
