26/03/2026
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Goleiro boliviano aos 40 vive sonho na Copa

O goleiro Carlos Lampe, aos 39 anos, está perto de realizar um sonho inédito com a seleção da Bolívia: disputar uma Copa do Mundo. Com quatro participações na Copa América e 64 jogos pelo país, ele é o arqueiro com mais partidas na história nacional.

Carlos Lampe é um nome conhecido no futebol sul-americano. Além da trajetória na seleção, ele tem 48 jogos na Libertadores pelo Bolívar, clube onde enfrentou várias equipes brasileiras. Em 2026, seu time está no mesmo grupo do Fluminense na competição continental.

Segundo o atleta, nenhuma dessas experiências se compara à chance de classificar a Bolívia para a Copa do Mundo, algo que não acontece desde 1994. Para isso, a equipe precisa passar por Suriname e Iraque na repescagem.

“Todos estão com muitas expectativas. Minha esposa e minha filha virão (para o México). Uma das minhas filhas, porque as outras vão ficar. A verdade é que todos estão com expectativas, com muita animação de cumprir esse sonho. Vamos tentar fazer com que isso seja possível”, disse Lampe.

O goleiro destacou sua experiência contra times do Brasil. Ele mencionou jogos recentes contra Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG, Internacional e Athletico-PR pela Libertadores.

“O Bolívar tem uma linda equipe, jogamos de igual para igual com Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG, Internacional, Athletico-PR, que foram os últimos times com os quais tivemos que jogar. Creio que o jogo em que fomos mais difíceis de derrotar foi contra o Flamengo em 2024”, comentou.

Lampe também falou sobre o fator altitude em La Paz, cidade onde o Bolívar manda seus jogos. Ele afirmou que a equipe busca um estilo agressivo e posse de bola rápida para explorar os mais de 3.600 metros de altitude.

“A verdade é que com o Bolívar levamos vantagem porque somos uma equipe agressiva, que não dá a bola aos rivais e tenta circular muito rápido e controlar a posse. Acho que temos vantagem e fazemos (os adversários) sentirem o efeito da altura”, explicou.

Sobre os próximos adversários, o goleiro reconhece o equilíbrio. “Vejo muito equilíbrio. Porque eles (Suriname) também estão nacionalizando jogadores de primeiro nível, três que jogam em ligas muito boas. Mas no campo vai ser muito duro, vamos ter que lidar com o estresse, a pressão, mas nós estamos acostumados”, avaliou.

Uma possibilidade que anima os bolivianos é o retorno de Marcelo Moreno à seleção. O atacante, conhecido no futebol brasileiro, saiu da aposentadoria e assinou com o Oriente Petrolero, com o objetivo de jogar a Copa do Mundo.

“Conheço o Marcelo, eu conheço a disciplina dele como jogador, ele é um jogador histórico da seleção, do nosso país. Acho que eu vejo possibilidade, porque se ele continuar treinando, se cuidando, e demonstrando, vai depender do Óscar (Villegas, técnico da seleção) convocá-lo ou não”, disse Lampe.

O técnico Óscar Villegas é apontado como uma peça importante na recuperação da Bolívia nas Eliminatórias. Após assumir em 2024, ele comandou três vitórias seguidas sobre Venezuela, Chile e Colômbia.

A classificação para a repescagem foi confirmada com uma vitória histórica sobre o Brasil na última rodada, jogo que deixou Lampe emocionado. “Pudemos ganhar no Chile, em uma Data Fifa que foi muito importante para que pudéssemos acreditar que estávamos na briga, porque ganhamos os dois jogos. Ganhamos da Venezuela e do Chile. E acho que aí voltamos a estar no páreo”, relembrou.

O sonho de Lampe é claro: repetir o feito da seleção boliviana de 1994. “A única coisa que passa em minha cabeça é fechar uma etapa na seleção jogando um Mundial. Acredito que fazer história de verdade, é isso que passa em minha cabeça. Fazer uma história como fizeram os jogadores que foram ao Mundial em 1994, que foram históricos para o país”, finalizou.

A Bolívia enfrentará o Suriname no dia 6 de junho, no estádio BBVA em Monterrey, México. A vaga na repescagem intercontinental veio após a equipe terminar em sexto lugar nas Eliminatórias da América do Sul. A última participação boliviana em Copas foi há 32 anos, nos Estados Unidos. O time daquela época, liderado por Marco Etcheverry, caiu na fase de grupos após derrotas para Alemanha e Espanha, e um empate com a Coreia do Sul.

Sobre o autor: Redação Central

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