13/02/2026
Gazeta Alerta»Insights»Vale3: Analistas animados apesar de prejuízo bilionário

Vale3: Analistas animados apesar de prejuízo bilionário

A mineradora Vale (VALE3) surpreendeu o mercado ao reportar um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre, um número significativamente maior que o prejuízo de US$ 694 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. Apesar desse resultado negativo à primeira vista, analistas de mercado enxergaram aspectos positivos que podem indicar um desempenho sólido da companhia no futuro.

O otimismo em relação à Vale decorre, em grande parte, de seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), que superou as expectativas do mercado. A empresa apresentou um Ebitda de US$ 4,6 bilhões entre outubro e dezembro, um aumento em relação aos US$ 3,8 bilhões do quarto trimestre de 2024. Ao considerar os itens não recorrentes, o lucro líquido proforma da mineradora atingiu US$ 1,5 bilhão, uma alta de 68% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entretanto, o desempenho das ações da Vale não acompanhou o otimismo. Na sexta-feira (13), as ações abriram em baixa, refletindo a pressão do mercado devido à queda nos preços do minério de ferro, que caíram 0,2% na Bolsa de Commodities de Dalian e 0,35% na Bolsa de Cingapura. A diminuição nas vendas de automóveis e dados decepcionantes sobre o consumo na China contribuíram para essa queda, sinalizando uma fraqueza na demanda do maior consumidor mundial de aço.

Um fator importante a ser considerado nos resultados da Vale foi o impacto de baixas contábeis, que totalizaram US$ 6,3 bilhões, incluindo US$ 3,5 bilhões relacionados a ativos de níquel no Canadá e US$ 2,8 bilhões em impostos diferidos. Esses fatores não recorrentes afetaram significativamente o resultado final, mas a empresa conseguiu compensar parcialmente esse efeito com um aumento no volume de vendas e melhores preços de cobre e minério de ferro.

A análise das operações da Vale também revelou uma melhora nos custos operacionais. A empresa reportou um custo C1 de US$ 21,3 por tonelada de minério de ferro, alinhado com a previsão para 2025 e marcando o segundo ano consecutivo de redução de custos. O fluxo de caixa livre foi forte, alcançando US$ 1,7 bilhão, enquanto a dívida líquida expandida caiu para US$ 15,6 bilhões.

Os analistas permanecem majoritariamente otimistas em relação à Vale. A XP, embora mantenha uma recomendação neutra, reconhece um momentum positivo para as ações. O Goldman Sachs reiterou sua recomendação de compra, considerando que a Vale apresenta uma alternativa atraente em comparação com outras grandes empresas de cobre, que têm um custo mais elevado.

A perspectiva de crescimento no setor de cobre, com a meta da Vale de dobrar sua produção até 2035, também atraiu a atenção dos investidores. Embora o preço do minério de ferro seja visto como próximo do pico, a expectativa é de que os níveis atuais se mantenham. O Bradesco BBI destaca que a Vale está sendo negociada com um rendimento ao fluxo de caixa livre de 8% estimado para 2026, o que pode indicar um espaço para revisões positivas nas estimativas de lucros.

Em suma, apesar do prejuízo bilionário, os resultados da Vale indicam um desempenho operacional robusto e um potencial de crescimento futuro, fatores que têm alimentado a confiança dos analistas e investidores na recuperação das ações da mineradora.

Sobre o autor: Redação Central

Equipe colaborativa responsável pela elaboração, revisão e organização de textos com foco na qualidade.

Ver todos os posts →