Mato Grosso do Sul produziu 38,7 mil toneladas de tilápia em 2025, conforme o Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026. Esse volume representa mais de 95% das 40,62 mil toneladas de peixes de cultivo geradas no Estado. O número ganha relevância enquanto a Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) avalia os critérios para definir quais espécies serão classificadas como exóticas invasoras no Brasil.
Em maio, a comissão adiou por 90 dias a decisão sobre a lista que poderia incluir a tilápia. O prazo vence em 28 de agosto. Em vez de aprovar imediatamente a relação, foi criado um grupo de trabalho para estabelecer critérios técnicos. A proposta prevê tratamento diferente conforme as características de cada espécie, separando aquelas sem interesse socioeconômico das que possuem cadeia produtiva consolidada. Segundo o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), a classificação como invasora não significa automaticamente a proibição do cultivo.
A piscicultura sul-mato-grossense cresceu apenas 0,3% entre 2024 e 2025, mas manteve o Estado na oitava posição nacional. Das 40,62 mil toneladas produzidas, 38,7 mil foram de tilápia, 1,8 mil de espécies nativas e 120 toneladas de outros peixes. O anuário atribui o avanço da atividade à combinação de incentivos fiscais, melhorias logísticas e adoção de tecnologias de manejo, mas aponta a necessidade de ampliar a infraestrutura, principalmente para o processamento do pescado.
Nos viveiros escavados, Dourados lidera com 758 hectares, seguido por Itaporã (320 hectares), Mundo Novo (211), Sidrolândia (172) e Rio Brilhante (159). Nos tanques-rede, Aparecida do Taboado aparece em primeiro lugar, com 1.154 estruturas, seguida por Paranaíba (479) e Três Lagoas (72).
Mato Grosso do Sul foi o terceiro maior exportador de tilápia do Brasil em 2025, atrás de Paraná e São Paulo. As vendas ao exterior somaram US$ 10,7 milhões, o equivalente a 19% das exportações brasileiras da espécie. O Paraná respondeu por 50% (US$ 28 milhões) e São Paulo por 29% (US$ 16 milhões). No cenário nacional, a tilápia representou 94% das exportações da piscicultura, movimentando US$ 56,6 milhões. Os Estados Unidos seguiram como principal comprador, com US$ 52 milhões. Os filés frescos movimentaram US$ 41 milhões, alta de 12%, e as exportações de filé congelado avançaram 421%.
Do filé ao curativo
A cadeia econômica não termina quando o filé deixa o frigorífico. Partes da tilápia que eram tratadas como resíduos ganharam aplicações industriais. A pele pode ser curtida para produção de bolsas e acessórios, além de ser usada como biomaterial em curativos e tratamentos de queimaduras. Em Mato Grosso do Sul, pesquisas buscaram transformar pele e escamas em biofilmes para embalagens de alimentos. Outros resíduos podem ser aproveitados para obtenção de óleo, farinha e derivados.
O Anuário Peixe BR aponta que a cadeia sul-mato-grossense ainda precisa avançar na área de processamento. A discussão ambiental é citada como uma das variáveis que devem influenciar o mercado em 2026. O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) afirma que a concorrência com tilápia importada e as discussões regulatórias sobre a classificação da espécie como invasora continuarão sendo pontos de atenção. Esses fatores podem influenciar decisões de investimento e a dinâmica de oferta no próximo ano.
A GenoMar Genetics Brasil, que mantém unidades de produção e distribuição de alevinos em Mato Grosso do Sul e outros quatro estados, espera crescimento acelerado da piscicultura em 2026. A empresa cita a expansão da área produtiva, o aumento da capacidade de abate e a consolidação da tilápia como proteína relevante em seu portfólio.
