16/08/2026
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Brazil Tilapia Farming Expands From Fillets to Leather and Biomaterials

Brazil Tilapia Farming Expands From Fillets to Leather and Biomaterials

Mato Grosso do Sul produziu 38,7 mil toneladas de tilápia em 2025, conforme o Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026. Esse volume representa mais de 95% das 40,62 mil toneladas de peixes de cultivo geradas no Estado. O número ganha relevância enquanto a Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) avalia os critérios para definir quais espécies serão classificadas como exóticas invasoras no Brasil.

Em maio, a comissão adiou por 90 dias a decisão sobre a lista que poderia incluir a tilápia. O prazo vence em 28 de agosto. Em vez de aprovar imediatamente a relação, foi criado um grupo de trabalho para estabelecer critérios técnicos. A proposta prevê tratamento diferente conforme as características de cada espécie, separando aquelas sem interesse socioeconômico das que possuem cadeia produtiva consolidada. Segundo o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), a classificação como invasora não significa automaticamente a proibição do cultivo.

A piscicultura sul-mato-grossense cresceu apenas 0,3% entre 2024 e 2025, mas manteve o Estado na oitava posição nacional. Das 40,62 mil toneladas produzidas, 38,7 mil foram de tilápia, 1,8 mil de espécies nativas e 120 toneladas de outros peixes. O anuário atribui o avanço da atividade à combinação de incentivos fiscais, melhorias logísticas e adoção de tecnologias de manejo, mas aponta a necessidade de ampliar a infraestrutura, principalmente para o processamento do pescado.

Nos viveiros escavados, Dourados lidera com 758 hectares, seguido por Itaporã (320 hectares), Mundo Novo (211), Sidrolândia (172) e Rio Brilhante (159). Nos tanques-rede, Aparecida do Taboado aparece em primeiro lugar, com 1.154 estruturas, seguida por Paranaíba (479) e Três Lagoas (72).

Mato Grosso do Sul foi o terceiro maior exportador de tilápia do Brasil em 2025, atrás de Paraná e São Paulo. As vendas ao exterior somaram US$ 10,7 milhões, o equivalente a 19% das exportações brasileiras da espécie. O Paraná respondeu por 50% (US$ 28 milhões) e São Paulo por 29% (US$ 16 milhões). No cenário nacional, a tilápia representou 94% das exportações da piscicultura, movimentando US$ 56,6 milhões. Os Estados Unidos seguiram como principal comprador, com US$ 52 milhões. Os filés frescos movimentaram US$ 41 milhões, alta de 12%, e as exportações de filé congelado avançaram 421%.

Do filé ao curativo

A cadeia econômica não termina quando o filé deixa o frigorífico. Partes da tilápia que eram tratadas como resíduos ganharam aplicações industriais. A pele pode ser curtida para produção de bolsas e acessórios, além de ser usada como biomaterial em curativos e tratamentos de queimaduras. Em Mato Grosso do Sul, pesquisas buscaram transformar pele e escamas em biofilmes para embalagens de alimentos. Outros resíduos podem ser aproveitados para obtenção de óleo, farinha e derivados.

O Anuário Peixe BR aponta que a cadeia sul-mato-grossense ainda precisa avançar na área de processamento. A discussão ambiental é citada como uma das variáveis que devem influenciar o mercado em 2026. O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) afirma que a concorrência com tilápia importada e as discussões regulatórias sobre a classificação da espécie como invasora continuarão sendo pontos de atenção. Esses fatores podem influenciar decisões de investimento e a dinâmica de oferta no próximo ano.

A GenoMar Genetics Brasil, que mantém unidades de produção e distribuição de alevinos em Mato Grosso do Sul e outros quatro estados, espera crescimento acelerado da piscicultura em 2026. A empresa cita a expansão da área produtiva, o aumento da capacidade de abate e a consolidação da tilápia como proteína relevante em seu portfólio.

Sobre o autor: Redação Central

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