Campo Grande começou a reforçar ações de conscientização contra o trabalho infantil em pontos críticos da cidade. Nesta segunda-feira (3), equipes da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) estiveram no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Avenida Arquiteto Ruben Gil de Camillo. O local foi alvo de um flagrante da reportagem no dia 29 de julho, quando dois adolescentes foram encontrados vendendo doces por até 10 horas diárias.
A ação foi feita pelo Seas (Serviço Especializado de Abordagem Social). Os técnicos distribuíram panfletos e orientaram motoristas e passageiros do transporte coletivo sobre como identificar e denunciar casos de exploração infantil. O objetivo foi alertar a população sobre os impactos desse tipo de prática.
Segundo a SAS, a intervenção faz parte de um monitoramento contínuo das regiões da Capital. A pasta mantém um mapeamento atualizado dos pontos com maior incidência de denúncias. Quando há aumento de casos em alguma área, equipes são deslocadas para intensificar a presença e a fiscalização.
Flagrante – No dia 29 de julho, dois adolescentes, de 12 e 14 anos, trabalhavam no cruzamento em frente ao Shopping Campo Grande, próximo ao MPT (Ministério Público do Trabalho). Eles afirmaram que a rotina ia das 11h às 21h, com o consentimento das famílias. Os garotos relataram que recebem denúncias ao Conselho Tutelar com frequência e, por isso, deixam o local por alguns dias, mas sempre retornam. A arrecadação diária no sinaleiro chega a R$ 400, segundo eles.
Procedimento – O MPT-MS (Ministério Público do Trabalho da 24ª Região) informou que mantém um procedimento administrativo para apurar as denúncias de exploração do trabalho infantil na Capital. No dia 30 de julho, o órgão se reuniu com a Polícia Militar para alinhar ações de inteligência e mapear os principais pontos de trabalho infantil na região central.
Em 22 de julho, o MPT enviou um documento à Prefeitura de Campo Grande cobrando providências. O órgão recomendou a elaboração do Plano Municipal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, com orçamento próprio para execução. Também pediu o fortalecimento da equipe técnica de referência, a organização de um fluxo de atendimento socioassistencial para famílias vulneráveis e a oferta de cursos de profissionalização para adolescentes.
