09/05/2026
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Brazil explores the mother I want to be

Em abril, nasceu Lara, uma menina. A autora, Tatiana Pimenta, relata que, junto com a alegria, veio a preocupação por saber o que significa ser mulher. Ela cita os números, as histórias e as barreiras que ainda precisam ser enfrentadas. Após a preocupação, veio a responsabilidade e a consciência de que criar uma menina é um ato político, onde o exemplo importa mais do que qualquer discurso.

Seria reconfortante dizer que o cenário melhorou. Em alguns aspectos, como mais mulheres no mercado de trabalho e em posições de liderança, houve avanço. No entanto, os dados ainda são duros. Segundo o 3º Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho, divulgado em abril de 2025, mulheres ganham em média 20,9% menos que homens nas mesmas funções. Para mulheres negras, a diferença chega a 52,5% em relação a homens não negros. Em cargos de gestão, apenas 37% são ocupados por mulheres, e para mulheres negras, esse número é inferior a 10%.

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho, de março de 2025, aponta que, no ritmo atual, levaria quase dois séculos para alcançar igualdade de gênero nas taxas de emprego. A maternidade agrava o cenário. Uma pesquisa da Catho de 2025 mostrou que 60% das mães brasileiras estão fora do mercado de trabalho. Entre as empregadas, quase 60% ocupam cargos operacionais, e apenas 15% estão em liderança. Das mães entrevistadas, 94,8% nunca foram promovidas durante a gravidez ou licença-maternidade. Metade deixou de participar de eventos importantes dos filhos por medo de perder o emprego.

A autora conta sua trajetória pessoal. Ela congelou óvulos em 2019 durante uma rodada de captação para a Vittude. Em 2024, engravidou naturalmente, mas foi uma gravidez gemelar de risco. Um dos embriões não se desenvolveu, e o outro evoluiu até quinze semanas, quando ocorreu um aborto retido. Após o luto, ela decidiu investir em fertilização in vitro. A primeira transferência não deu certo, mas na segunda tentativa nasceu Lara. Ela afirma que ser mãe, para muitas mulheres, é uma construção que exige escolhas, renúncias e coragem para tentar de novo.

Tatiana Pimenta reconhece seu privilégio como fundadora de uma empresa, com autonomia e recursos para tratamentos de fertilidade. Ela destaca que a maioria das mulheres brasileiras não tem isso, enfrentando a falta de creche, flexibilidade e políticas públicas. Mulheres dedicam, em média, o dobro do tempo que homens às tarefas domésticas e ao cuidado de filhos. Para ela, essa desigualdade é construída e pode ser desconstruída.

Ela deseja que sua filha veja uma mãe que trabalha, lidera e erra, mas que também sabe pedir ajuda. Quer que Lara entenda que ambição não é algo ruim e que sucesso profissional e vida pessoal não são excludentes. Ela espera que a filha veja mulheres em posições de poder como norma, não como exceção.

A autora defende que a mudança precisa ser acelerada. Para as empresas, isso significa políticas de parentalidade inclusivas, creches corporativas e flexibilidade sem punição. Para os homens, significa assumir o cuidado como responsabilidade compartilhada. Para as mulheres, apoiar umas às outras e ocupar espaços de poder para abrir portas. Ela termina com esperança ativa, acreditando que a mudança depende do que é feito todos os dias, e que Lara nasceu em um mundo em transformação.

Sobre o autor: Redação Central

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