Pesquisa publicada nesta quarta-feira (3) no periódico Science Advances mostra que o Brasil enfrenta pressão crescente sobre seus recursos hídricos subterrâneos. O estudo analisou o comportamento das águas subterrâneas no país entre 2002 e 2023.
Os resultados indicam que o Aquífero Pantanal está entre os mais afetados por mudanças climáticas e ambientais dos últimos anos. A redução da recarga, processo pelo qual a água da chuva infiltra no solo e abastece os reservatórios subterrâneos, está ligada a secas prolongadas, expansão de pastagens e aumento de incêndios florestais.
Esses fatores alteram a estrutura do solo e reduzem a capacidade de absorver água, dificultando a infiltração. A situação ficou mais evidente durante a estiagem de 2019 e 2020, período com incêndios de grandes proporções no bioma.
“Incêndios florestais alteram propriedades do solo, reduzem a capacidade de infiltração e interrompem os processos de recarga. Condições de seca impulsionadas ou intensificadas por incêndios podem agravar as perdas de armazenamento”, diz o artigo.
O cientista do Centro de Voo Espacial Goddard, da Nasa, Augusto Getirana, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que as áreas com perda persistente coincidem com regiões de expansão agrícola, aumento da irrigação, secas recorrentes e maior concentração de poços. “O que vemos resulta da combinação da variabilidade climática e da pressão humana sobre os aquíferos”, disse.
Além do Pantanal, o estudo identificou sinais de esgotamento nos aquíferos Guarani, Serra Geral e Urucuia, localizados no Nordeste e Sudeste. A pesquisa estima que, em média, apenas 12% da precipitação anual nas áreas de afloramento dos aquíferos brasileiros consegue recarregar os reservatórios subterrâneos.
O estudo alerta que a região do Pantanal merece investigação adicional para entender melhor os controles sobre o comportamento das águas subterrâneas diante desses fatores.
