O advogado popular e doutorando em Geografia pela UFMS, Lucas Bocato, publicou um artigo analisando a votação do Plano Diretor de Três Lagoas (MS). No texto, ele descreve a experiência de acompanhar o processo nos últimos meses como uma lição sobre cidadania.
Bocato agradece a presença da população que lotou a Câmara Municipal na noite da votação. Ele afirma que o público demonstrou dignidade ao reivindicar a rejeição do projeto. O autor também reconhece publicamente os vereadores Maria Diogo, Marco Silva, Davis Martinelli e Pedrinho Jr. que votaram contra a proposta.
O texto destaca o papel de professores e pesquisadores de universidades públicas e institutos de pesquisa. Segundo Bocato, a Prefeitura e seus aliados ignoraram notas técnicas e pareceres acadêmicos durante a participação social, dando ouvidos apenas aos interesses do mercado imobiliário. Ele classifica essa postura como “negacionismo científico”.
O autor descreve o contraste no plenário: a maioria das pessoas presentes era de baixa renda, enquanto alguns poucos indivíduos na primeira fila concentravam grande riqueza e terras. Para Bocato, o voto da maioria dos vereadores foi um ato de submissão a esses grupos econômicos.
Bocato critica a conduta de uma parcela do parlamento, que aprovou o texto sob regime de urgência. Ele afirma que o debate público foi tratado com autoritarismo, com prazos encurtados e emendas lidas às pressas. O advogado rebate a alegação de que as vaias da população seriam antidemocráticas, classificando-as como ferramenta legítima de manifestação.
O placar final foi de 11 votos a 4 pela aprovação do projeto. Bocato conclui que a votação não encerra a luta pela gestão democrática da cidade e que a história do direito urbanístico mostra que a aprovação parlamentar nem sempre representa legalidade.
Lucas Bocato é advogado popular e doutorando em Geografia pela UFMS e pelo PPGGEO. O artigo foi publicado em 24 de junho de 2026.
