O último dia para regularizar o título de eleitor movimentou o Museu da Imagem e do Som (MIS), na Avenida Fernando Corrêa da Costa, no Centro de Campo Grande, nesta quarta-feira (6). Antes da abertura do atendimento, às 8h, uma longa fila já se formava e chegava até a Rua 14 de Julho. A organização montou tendas e cadeiras, mas muitos eleitores levaram bancos e mantas para encarar a espera durante a madrugada.
O primeiro da fila foi o mecânico Carlos Roberto, de 47 anos, que vai tirar o título pela primeira vez e participar da sua primeira eleição. Ele contou que passou pelo local na tarde de terça-feira (5) e, ao ver a movimentação, decidiu se antecipar. “Eu fui para casa tomar um banho e voltei. Preferi ser o último da fila ontem para ser o primeiro hoje. O pessoal começou a chegar por volta das 4h”, relatou.
Carlos passou a noite no local e levou uma manta para se proteger do frio. Ele explicou que precisa ser atendido cedo porque ainda vai voltar para o trabalho, numa fazenda. “Minha vida foi difícil, estou consertando ela agora. Já tive problemas com droga, álcool, fui para a cadeia e paguei tudo. Não devo nada para ninguém, por isso vim tirar meu título”, disse. Sobre a primeira votação, admite ansiedade: “Não sei nem mexer na máquina, vou precisar de ajuda. Nunca votei, vai ser uma emoção”.
Também na fila, o pedreiro Alexandre da Silva, de 33 anos, chegou por volta das 4h para cadastrar a biometria e regularizar o documento. Morador do Bairro Los Angeles, ele afirmou que não conseguiu resolver a situação antes por causa do trabalho. “Estava com muito serviço, ficou complicado, mas acho importante participar das eleições. Nosso voto tem que estar certinho para escolher o melhor”, afirmou.
Já a diarista Josélia Bispo, de 55 anos, chegou às 5h40, após sair de casa ainda de madrugada, no Jardim Noroeste. Ela não vota desde 2014 e decidiu regularizar o título após ouvir que a situação irregular pode trazer prejuízos. “Disseram que pode bloquear benefícios, compra de imóvel. Por isso vim, senão ia deixar como estava”, contou. Apesar disso, ela diz que a prioridade é o trabalho. “Estou contando que até 9h dê tempo de ser atendida. Se não der, vou ter que ir embora, porque preciso trabalhar”.
De acordo com a juíza Katy Braun, responsável pela 53ª Zona Eleitoral, os eleitores podem consultar a situação cadastral no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), informando nome, CPF ou número do título. “Caso não esteja regular, basta comparecer com comprovante de residência e documento com foto”, explicou.
O atendimento no MIS segue até as 18h, com distribuição de senhas até esse horário. Alguns serviços, como mudança de endereço, permitem atendimento online, mas a coleta biométrica e a emissão do primeiro título exigem presença. Na véspera, a equipe do MIS realizou cerca de 2,5 mil atendimentos, com expediente estendido até as 20h30. Ao todo, 44 atendentes trabalham no local nesta quarta-feira, e equipes da Justiça Eleitoral também distribuem água para quem aguarda na fila.
No local de atendimento, o elevador da entrada principal do prédio apresenta problemas, o que tem exigido adaptações para garantir o acesso de pessoas com mobilidade reduzida. Funcionários estão orientando esse público a utilizar a entrada pelo subsolo, onde há acesso plano e elevador em funcionamento. Há registro de dificuldades, como pessoas com andadores precisando usar a escadaria. O Museu da Imagem e do Som fica na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, na Vila Carvalho.
