O meteorologista Natálio Abraão informou nesta quarta-feira (15) que Mato Grosso do Sul deve registrar a chegada de duas frentes frias. A primeira está prevista para este final de semana, e a segunda, para a primeira semana de junho.
De acordo com Abraão, a frente fria mais próxima não deve trazer temperaturas tão baixas quanto as registradas na última semana. Já a do início do mês que vem, segundo ele, será mais intensa. “Vai ser gelado”, afirmou.
O meteorologista disse que o inverno deste ano pode ter frentes frias com intervalos mais curtos do que em anos anteriores. Ele também mencionou que julho, que historicamente tem pouca chuva, pode ser mais chuvoso por causa do El Niño.
Abraão explicou que o El Niño está saindo do modo neutro, conforme indicam modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF). Um relatório da Administração Nacional para os Oceanos e para a Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, também reforçou o alerta para o fenômeno.
Segundo o meteorologista, isso aumenta as chances de municípios como Água Clara, Aquidauana e Porto Murtinho atingirem recordes de temperatura. A maior temperatura já registrada no estado foi em Água Clara, que chegou a 44,6°C em 5 de abril de 2020.
“As águas do Pacífico começaram a aquecer e vão continuar aquecendo. Até novembro e dezembro, elas podem ficar até 1°C mais quentes”, disse Abraão sobre o El Niño. Ele prevê uma primavera quente, com chuvas acima da média, concentradas em poucas horas ou dias e com distribuição irregular.
O meteorologista alertou para o risco de enchentes e inundações em municípios que não estão preparados. Ele afirmou que a tendência de temperaturas mais altas deve continuar em novembro e dezembro, podendo se intensificar por conta do El Niño e das mudanças climáticas.
A análise do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) para os meses de junho a agosto reforça o cenário de atenção. O documento aponta distribuição irregular das chuvas e temperaturas ligeiramente mais altas que o normal no inverno.
O Cemtec informou que há 92% de probabilidade de o El Niño se desenvolver no trimestre e atingir nível moderado a forte entre a primavera e o início do verão. Isso pode favorecer ondas de calor mais frequentes e intensas. O centro concluiu que, por Mato Grosso do Sul estar numa zona de transição climática, o monitoramento contínuo é necessário.
