O geógrafo e professor da USP, Antonio Carlos Robert Moraes (1954-2015), o Tonico, morreu em São Paulo em 16 de julho de 2015, aos 61 anos. Dez anos depois, o que resta dele, segundo aqueles que o conheceram, é quase tudo, menos a sua presença física.
Tonico cursou Geografia na USP de 1973 a 1977 e Ciências Sociais de 1974 a 1979. Tornou-se professor do Departamento de Geografia da USP em 1982. Fez mestrado em 1983, doutorado em 1991, livre-docência em 2000 e tornou-se professor titular em 2004. É lembrado como uma autoridade em sua área e, para muitos, o geógrafo mais criativo de sua geração.
Sua estreia como autor foi o livro Geografia. Pequena História Crítica, publicado em 1981. A obra, com pouco mais de cem páginas, preencheu uma lacuna nos estudos introdutórios à Geografia no Brasil. O livro surgiu em um momento de redemocratização do país e se tornou uma referência obrigatória.
Tonico também escreveu Geografia Crítica (1984), Ideologias Geográficas (1988), A Gênese da Geografia Moderna (1989), Meio Ambiente e Ciências Humanas (1994), Bases da formação territorial do Brasil (2000), Território e História no Brasil (2002) e Território da Geografia de Milton Santos (2014).
Nascido em Poços de Caldas (MG) em junho de 1954, ele se mudou para São Paulo aos cinco anos. Cresceu no período de euforia dos anos de Juscelino Kubitschek e acompanhou eventos como a construção de Brasília, o Cinema Novo, a Bossa Nova e a industrialização do país.
Durante o regime militar, Tonico se engajou na contracultura e, mais tarde, na política. Na USP, ajudou a refundar o DCE em 1975. Aproximou-se do PCB e participou da refundação da UNE. Foi importante na construção do Sinpro, o sindicato dos professores do ensino privado. Em 1978, fundou o diretório do MDB na Vila Madalena. Em 1982, compôs a equipe de formulação do plano de governo do governador Franco Montoro. Foi uma das peças angulares da renovação da Adusp e da Andes. Foi consultor da presidência da República para assuntos climáticos a partir de 1986 e assessor científico da Fapesp.
Em 1988, foi um dos fundadores do PSDB. Sua presença na vida acadêmica e no debate público foi constante até sua morte. Para aqueles que o conheceram, Tonico segue presente, mas faz muita falta.
