13/05/2026
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Brazil profiles Kevin Birth and Laerte Sznelwar on life through time

O professor José Roberto Castilho Piqueira, da Escola Politécnica da USP, escreve sobre a relação entre o tempo, os objetos e a vida. Engenheiro dedicado ao estudo do sincronismo entre marcadores de tempo, ele afirma que não consegue conter a curiosidade de estudar outras questões relacionadas ao tema.

Piqueira reflete sobre como a observação dos objetos do dia a dia permite estabelecer marcas do fluxo temporal. Ele destaca que, em todas as formas viventes no planeta, há um aprendizado sobre o tempo, processo que molda as relações estudadas pelas ciências sociais e filosofia.

O livro Objects of Time, do professor de Antropologia Kevin K. Birth, do Queens College – CUNY, indicado pelo crono-biólogo Luiz Menna Barreto (EACH-USP), proporcionou ao autor acesso a relações científicas sobre o tema. Piqueira encontrou no site do professor Birth palestras, vídeos e publicações que permitem explorar o assunto.

Uma passagem marcante do livro tenta conjecturar como, na Europa medieval, era possível saber as horas durante a noite, com a posição do Sol indisponível. Possivelmente, técnicas de observação do movimento das estrelas foram concebidas para responder a essa questão.

O autor observa que a consciência desenvolvida paralelamente às diversas culturas levou a trocar as medidas de tempo associadas a ciclos da natureza por medidas de tempo de objetos manufaturados. Isso criou a ilusão de correspondência perfeita entre oscilações de pêndulos e as voltas da Terra em torno do Sol.

Nos dias de hoje, segundo Piqueira, o toque do alarme do despertador parece mais importante do que o nascer do Sol. O alarme interrompe o ciclo vigília-sono de quem tem horários de trabalho a cumprir e não dormiu o intervalo que seus processos metabólicos exigem.

Com base em conhecimentos da cronobiologia, o texto explica que sistemas temporais em organismos apresentam, em escala circadiana, diferenças individuais devidas a variações naturais de parâmetros. Essas interações sofrem heterogeneidades de indivíduo para indivíduo, provocando distúrbios de saúde física e mental.

Piqueira menciona o colega Laerte Idal Sznelwar (1956-2025) e sua fala sobre ergonomia com senso de humanidade. Ele reviu o filme Tempos Modernos, de Charlie Chaplin, e, lendo Birth, percebeu que a visão atual do tempo é pouco consistente com a vida.

O autor lista diferentes origens dos parâmetros de medidas temporais: atração por múltiplos de dez, desejos de precisão com relógios atômicos, visões religiosas com o calendário Gregoriano e heranças dos antigos egípcios e babilônios. Ele sugere que a vida no planeta oferece unidades de tempo mais interessantes, como o intervalo de oviposição de insetos cavernícolas ou o ciclo vigília-sono em bebês, mas reconhece a dificuldade de usá-las na disciplina diária.

Piqueira propõe observar possíveis fadigas de trabalhadores em diversas funções, como operar máquinas ou dirigir ônibus. Ele conclui que seria pouco sensato usar medidas relacionadas à vida como padrões universais, mas pensar em seus valores é de grande importância para preservar as diversas vidas.

O autor cita Robin Wall Kimmerer, que no livro O fruto da generosidade oferece o exemplo da Amelanchier, planta que marca a passagem do tempo e sincroniza as estações de povos indígenas. A vida no planeta, resultado de eventos pouco prováveis no universo, depende dos tempos relacionados aos fenômenos naturais.

Sobre o autor: Redação Central

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