13/08/2026
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Brazil Tourist Town Hosts 16x Its Population in One Year

Brazil Tourist Town Hosts 16x Its Population in One Year

Bonito recebe mais de 400 mil visitantes por ano, volume equivalente a cerca de 16 vezes os 25.034 moradores estimados para o município em 2025. O dado consta no diagnóstico elaborado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para a revisão do Plano Diretor 2026-2036 e ajuda a dimensionar a pressão do turismo sobre a infraestrutura urbana.

Conforme o levantamento, divulgado nesta quinta-feira (13), o turismo responde por aproximadamente 25% do fluxo de visitantes de Mato Grosso do Sul e sustenta a principal atividade econômica de Bonito. A cidade possui cerca de sete mil leitos e mais de 40 atrativos turísticos. O setor também lidera a geração de empregos formais no município.

A população permanente é bem menor. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estimou 25.034 habitantes para 2025, ante 23.659 registrados no Censo de 2022. A densidade demográfica passou de 4,4 para 4,6 habitantes por quilômetro quadrado no período considerado pelo diagnóstico.

O levantamento atribui parte dos gargalos urbanos à diferença entre a população residente e o contingente que circula pela cidade nos períodos de alta temporada. Janeiro, julho, dezembro e feriados prolongados concentram a maior procura pelos atrativos. A entrada de turistas e trabalhadores temporários eleva a demanda por água, esgoto, energia e transporte.

Transporte

O transporte aparece entre os pontos mais frágeis. Dados do Censo de 2022 reunidos no estudo mostram que 3.067 moradores usavam automóvel para chegar ao trabalho, 2.096 recorriam à bicicleta e 1.936 utilizavam motocicleta. Apenas 256 pessoas declararam o ônibus como principal meio de deslocamento.

O diagnóstico relaciona essa distribuição à falta de transporte coletivo urbano regular. Trabalhadores do setor turístico dependem de motocicletas, carros, caronas e serviços particulares para cumprir os trajetos entre bairros, centro e hotéis. A equipe considera que essa dependência aumenta a quantidade de veículos particulares nas ruas e pressiona o orçamento das famílias.

O problema se agrava porque visitantes também dependem de veículos para circular entre hotéis, restaurantes e atrativos. O documento aponta que turistas sem carro ficam sujeitos a táxis, transporte por aplicativo, locadoras ou transfers previamente contratados. Esse modelo amplia a frota flutuante e concentra veículos no centro durante os períodos de maior movimento.

A estrutura viária recebe essa demanda junto com o transporte de cargas. As rodovias MS-178 e MS-382 funcionam ao mesmo tempo como acesso turístico e rota de caminhões, carretas e transporte de gado. Como Bonito não possui uma rota periférica capaz de separar completamente esses fluxos, veículos pesados também atravessam a malha urbana e dividem espaço com moradores e visitantes.

O automóvel ocupa entre 70% e 80% do espaço disponível nas vias de Bonito, conforme avaliação apresentada no Plano Diretor. A equipe relaciona essa proporção aos congestionamentos registrados na alta temporada e recomenda a redistribuição do espaço para calçadas, ciclovias e arborização.

A bicicleta aparece com participação relevante nos deslocamentos, mas a infraestrutura não acompanha o uso. O levantamento descreve a rede cicloviária como concentrada em eixos que partem do centro em direção aos atrativos e sem conexão adequada com vários bairros residenciais. Alguns trechos também dividem os mesmos corredores usados por caminhões nas rodovias estaduais.

O contraste entre o centro e a periferia também aparece nas calçadas. O mapa analisado pela UFRJ mostra concentração de vias pavimentadas e passeios no quadrilátero central, enquanto ruas sem pavimento se tornam predominantes nos vetores de expansão ao norte, leste e sul. O estudo conclui que parte do crescimento urbano ocorreu antes da chegada da infraestrutura necessária.

Saneamento

A pressão não se limita ao trânsito. O atendimento da população urbana por rede de abastecimento de água chega a 99%, mas cai para 81,60% quando todo o território municipal entra no cálculo. O diagnóstico ainda aponta perda de 35,66% da água no sistema de distribuição.

No esgoto, a rede alcança 94,86% da população urbana, enquanto a cobertura rural é de zero. O índice geral fica em 78,19%. A UFRJ considera a ausência de rede em áreas rurais e dispersas um dos principais obstáculos para a universalização do serviço.

Avaliação

A revisão do Plano Diretor usa esses indicadores para projetar as necessidades de Bonito até 2036. O diagnóstico propõe integrar turismo, mobilidade, saneamento e expansão urbana para que a infraestrutura suporte tanto os moradores quanto a população temporária. O documento servirá de base para as novas regras de planejamento territorial do município.

O próprio relatório apresenta números distintos para o fluxo turístico: em um trecho, cita mais de 400 mil visitantes por ano com base em dados da Fundtur (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul) de 2024; em outro, informa recorde superior a 293 mil visitantes em 2025, segundo o Observatório do Turismo e Eventos de Bonito. Os dados usam fontes diferentes e o documento não explica a diferença entre as duas contagens.

Sobre o autor: Redação Central

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